Entrevista com o poeta da Paulista
Autor exibe seus textos em cartolinas na calçada da avenida. Transeuntes apreciam e contribuem.
[Que tal ir baixando o áudio da entrevista enquanto você lê? Arquivo com 60Mb, 63 minutos.]
Semanas atrás, passando pela Av. Paulista (SP), notei vários poemas expostos na calçada, em cartolinas, cujo autor se identifica como Mauro Modesto. Qual foi a idéia dele para “vender” seus textos?
Ele os expõe, livremente e no final de alguns, sugere: “Contribua com qualquer valor”.
Os pedestres que passam pela agitada Av. Paulista param, olham, lêem e alguns até contribuem com pequenas quantias depositadas em uma caixinha.
Conversando com ele disse-me que prefere manter-se discreto e não ser muito conhecido. É avesso à badalação. Pediu que não fosse fotografado. Fotografei então alguns de seus textos expostos na rua.
Este escritor pernambucano, de 53 anos, já fez isto no Rio de Janeiro e está, há dois meses, fazendo o mesmo em São Paulo. Expõe seus textos no chão, em plena Av. Paulista, próximo à esquina com a R. Teixeira da Silva (entre as estações do metrô Paraíso e Brigadeiro). Aliás, vale a pena ouvir na entrevista a diferença que ele percebeu em relação às duas capitais. =))
Achei a iniciativa interessante porque, afinal, ele criou uma forma de gerar receita a partir de seus próprios escritos e pensamentos. Alguns polêmicos, outros nem tanto. Todos originais. Fiquei curioso em saber mais sobre ele, os artistas que aprecia e quais são suas motivações.
Entre 8 e 9 de março, gravamos em MP3 algumas conversas que somam 63 minutos de bate-papo. Ele recitou sonetos de Pablo Neruda e outros de seus versos. =))
No próprio dia 9, domingo, Renata Miranda, jornalista do Estadão que passava pela Av. Paulista também notou o trabalho e conversando com o autor ficou de reencontrá-lo, na semana seguinte, para entrevistá-lo. Conversei brevemente com ela, contei que até já tinha entrevistado-o e gravado algumas conversas, em áudio, e que iria publicar em breve. Disse também que acreditava que seria ótimo que ela fosse adiante e que mais pessoas conhecessem os textos, a iniciativa.
Em 11 de março, publiquei texto entitulado: Ganhando a vida como produtor de conteúdo. Contribua com qualquer valor. (Texto que trouxe pra cá ontem). Disponibilizei também o arquivo de MP3 (63 min.) que alguns amigos já baixaram, ouviram e fizeram várias críticas e sugestões.
Quer saber mais? Produzi imagem, texto e áudio:
Veja fotos de alguns dos poemas.
Leia: Ganhando a vida como produtor de conteúdo. Contribua com qualquer valor.
Baixe e Ouça o a entrevista. Arquivo com 60Mb, 63 min. de duração.
Este post faz parte da Blogagem Inédita, proposta por Edney Souza do Interney.net. [Editado]


March 18th, 2008 at 12:02 pm
Eu trabalho perto da Teixeira da Silva (à noite) e nunca cruzei com esse poeta… Sabe até q horas ele fica lá?
March 28th, 2008 at 7:26 am
Olá, Ulisses,
Ele não segue exatamente uma rotina, mas…
Costuma ir quando não chove ou quando o tempo está nublado (porque danifica as cartolinas) e prefere ir aos domingos e feriados (porque as pessoas têm mais tempo pra ler e colaboram mais). Fica entre 07h e 19h.
Obrigado por comentar! =))
April 8th, 2008 at 8:29 am
[…] posso deixar de citar que participei da Blogagem Inédita publicando a reportagem: Entrevista com o Poeta da Paulista. Produzi texto, fotos e gravei 1 hora de entrevista em […]
April 15th, 2008 at 9:24 pm
Hoje estava passando pela Paulista neste mesmo trecho (tem uma reforma de um prédio antigo neste lugar, não é?), e acho que havia outro poeta ali. Um tal de Samuel Samello, algo assim, e com os pensamentos expostos na cartolina, presas com umas pedras.
Será que existe uma rotatividade agora de poetas?
April 16th, 2008 at 1:22 am
Eu vi o homem no Viaduto Santa Ifigênia, fiz fotos (ainda inéditas no meu Flickr). Só que faz bem mais que dois meses.